AUTAZES ENFRENTA CRISE COM DESEMPREGO, COMÉRCIO FRACO E CRESCIMENTO DE DÍVIDAS INFORMAIS

Crise em Autazes: desemprego, comércio em queda e dívidas com agiotas forçam moradores a lutar para manter o sustento.

AUTAZES ENFRENTA CRISE COM DESEMPREGO, COMÉRCIO FRACO E CRESCIMENTO DE DÍVIDAS INFORMAIS

Autazes (AM) — Moradores do município relatam uma realidade cada vez mais difícil: falta de empregos, comércio praticamente parado e o aumento preocupante de dívidas com agiotas. Apesar de dados oficiais apontarem melhora nos índices de emprego no estado, a situação vivida no dia a dia da população mostra um cenário bem diferente nas cidades do interior.

Especialistas destacam que, embora o Amazonas tenha registrado queda na taxa de desemprego nos últimos anos, esses números nem sempre refletem a realidade de municípios menores, onde predominam trabalhos informais e poucas oportunidades. Em Autazes, o saldo de empregos formais ainda é considerado baixo, e a abertura de novos negócios segue tímida.

A economia local, tradicionalmente baseada na agropecuária, especialmente na produção de leite e derivados, não tem sido suficiente para garantir renda estável à população. Com a desaceleração de setores importantes no estado, o reflexo é sentido diretamente no comércio, onde empresários enfrentam queda nas vendas e dificuldade para manter as portas abertas.

Sem renda suficiente, muitos moradores recorrem a empréstimos informais, conhecidos como agiotagem. A falta de acesso ao crédito bancário leva famílias a aceitar juros abusivos, agravando ainda mais a situação financeira e criando um ciclo difícil de romper.

Outro fator que chama atenção é a prática ilegal de entregar cartões de benefícios sociais, como o Bolsa Família e outros auxílios do governo, como forma de garantia de pagamento das dívidas. A situação expõe ainda mais as famílias, que acabam comprometendo recursos essenciais para alimentação e despesas básicas.

“Não tem emprego, o comércio não vende e a gente acaba recorrendo ao que aparece. Depois vira uma bola de neve”, relatou um morador, que preferiu não se identificar.

No plano de governo da atual gestão municipal, o Desenvolvimento do Comércio Local aparece como uma das estratégias para fortalecer a economia da cidade. Entre as ações previstas estão:

  • criação de incentivos fiscais para novos empreendimentos;
  • realização de feiras e eventos para promover produtos locais e atrair turistas;
  • parcerias com instituições de crédito para facilitar financiamentos a pequenos comerciantes;
  • oferta de capacitações em gestão empresarial;
  • incentivo ao setor de alimentação, com apoio a feiras gastronômicas, food trucks e restaurantes;
  • fortalecimento do setor hoteleiro, com parcerias para construção e ampliação de hotéis e qualificação profissional;
  • apoio a taxistas e mototaxistas, com melhorias nas condições de trabalho, criação de pontos de apoio e oferta de treinamentos.

Apesar das propostas, moradores e comerciantes cobram que as medidas saiam do papel e sejam efetivamente implementadas.

Enquanto isso, trabalhadores, comerciantes e pais de família seguem enfrentando uma rotina de dificuldades para manter suas casas e seus negócios. Entre contas acumuladas, vendas em queda e a incerteza do futuro, a população resiste como pode, buscando alternativas para sobreviver e garantir o sustento. Em meio aos desafios, cresce também a cobrança por ações concretas que tragam dignidade, emprego e melhores condições de vida para quem vive em Autazes.