Acusado de matar o próprio irmão em Autazes deixa prisão após 30 dias e decisão gera revolta na família da vítima
A soltura de João Ferreira, de 62 anos, acusado de matar o próprio irmão em Autazes, provocou forte indignação entre familiares de Raimundo Ferreira, de 54 anos, e repercutiu intensamente no município localizado a 113 quilômetros de Manaus. Preso em flagrante no dia do crime, João permaneceu detido por apenas 30 dias e foi colocado em liberdade no último dia 14 de maio, por decisão judicial.
O caso, que chocou moradores pela violência e pelo fato de envolver dois irmãos, voltou a gerar debates sobre a sensação de insegurança enfrentada por famílias de vítimas de crimes graves no interior do Amazonas. A liberação do acusado ocorreu justamente no período em que parentes e amigos organizavam a missa de um mês da morte de Raimundo, tornando o momento ainda mais doloroso para os familiares.
De acordo com informações do caso, Raimundo Ferreira foi morto na madrugada do dia 14 de abril, dentro da própria residência. João Ferreira é apontado como autor do homicídio, praticado com golpes de terçado. O crime teria sido registrado por uma câmera de segurança instalada em frente à casa da vítima, imagens que circularam entre moradores e aumentaram a comoção na cidade.
Após o assassinato, João foi preso em flagrante e permaneceu custodiado na delegacia local até a decisão que autorizou sua soltura. A investigação continua para esclarecer detalhes sobre a motivação e as circunstâncias do homicídio.
Crime abalou moradores de Autazes
Em cidades pequenas como Autazes, onde praticamente todos se conhecem e os vínculos familiares são próximos, crimes com esse nível de violência costumam deixar marcas profundas na comunidade. O caso ganhou grande repercussão justamente por envolver um suposto fratricídio — termo utilizado para definir o assassinato de um irmão pelo outro — situação considerada rara e de forte impacto emocional.
Moradores relatam que Raimundo era bastante conhecido e querido na cidade. Segundo familiares, ele morava na mesma residência desde a infância e mantinha convivência próxima com vizinhos e amigos.
A notícia da soltura do acusado gerou revolta entre parentes da vítima, que afirmam temer pela própria segurança e pela possibilidade de conviver diariamente com o homem apontado como responsável pelo crime.
Família cobra justiça e proteção
Em manifestações públicas e mensagens compartilhadas nas redes sociais, familiares de Raimundo Ferreira disseram estar abalados com a decisão judicial e cobraram medidas que garantam segurança para a família durante o andamento do processo.
A principal preocupação é com o convívio inevitável em uma cidade pequena, onde testemunhas, parentes e envolvidos acabam frequentando os mesmos espaços diariamente. Os familiares defendem que o sistema de Justiça assegure condições para que o processo ocorra sem intimidações e com proteção às testemunhas.
Além da dor pela perda, o caso também evidencia dificuldades enfrentadas por famílias enlutadas que precisam acompanhar investigações e processos criminais convivendo lado a lado com pessoas acusadas de crimes graves.
A expectativa dos parentes de Raimundo é que João Ferreira seja levado a júri popular e responsabilizado criminalmente pela morte do irmão.
A repercussão do caso aumentou ainda mais após a circulação, nas redes sociais, de uma fotografia em que João Ferreira aparece comemorando a soltura ao lado dos filhos, imagem que gerou críticas e novos comentários entre moradores do município.









