Economistas veem corte de 0,25 p.p. na Selic mesmo com expectativa maior de inflação

Reunião do Comitê de Política Monetária desta semana deve manter corte na taxa Selic na mesma magnitude de março; ritmo de redução no ano dependerá do desenrolar do conflito no Oriente Médio The post Economistas veem corte de 0,25 p.p. na Selic mesmo com expectativa maior de inflação appeared first on InfoMoney.

Economistas veem corte de 0,25 p.p. na Selic mesmo com expectativa maior de inflação

O xadrez do Comitê de Política Monetária (Copom) está mais complexo. Nesta quarta-feira (29), os dirigentes deverão decidir o novo patamar de juros do país enfrentando o desafio de uma inflação pressionada pelo choque das commodities e uma atividade interna que, embora ainda apresente núcleos firmes, começa a dar sinais de exaustão sob o aperto monetário.

Para economistas ouvidos pelo InfoMoney, as apostas convergem para um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 14,75% para 14,50%. A avaliação é de que, embora existam riscos inflacionários claros, a manutenção da taxa em patamar extremamente restritivo poderia estrangular a atividade econômica sem, necessariamente, conter a inflação, que tem origem externa. As palavras do momento são “parcimônia” e “ajuste fino”.

Cenário complexo

Desde o último encontro do Copom, em março, o cenário macroeconômico tornou-se menos benigno. O Bank of America (BofA) destaca que a inflação piorou, com os índices cheios e os núcleos apresentando elevação marginal, tudo por causa da cotação do petróleo, que foi às alturas com o conflito no Oriente Médio. 

A Planner Investimentos ressalta que o conflito entre EUA e Irã trouxe dificuldades reais aos fluxos de demanda pelo Estreito de Ormuz, o que manteve os preços do barril em patamares elevados e voláteis.

Esse choque já se materializou no IPCA de março. O J.P. Morgan observa que, embora a inflação tenha surpreendido negativamente, houve uma “concentração incomum em um punhado de itens”, com destaque para a categoria de transportes, reflexo direto do custo dos combustíveis. Para o banco, o quadro exigirá “serenidade” do Banco Central para avaliar se o impacto será duradouro.

A escalada forçou uma revisão generalizada nas projeções. Rodolfo Margato, economista da XP, aponta que a previsão de inflação para 2026, que era de 3,8% antes do conflito, saltou para mais de 5% após o início da guerra. 

Esse movimento de desancoragem é acompanhado por Leonardo Costa, economista do ASA, que também revisou sua projeção para 5%, e pelo BofA, que vê o IPCA ao fim de 2027 – atual horizonte relevante da política monetária – subindo para 3,5%. Rodolpho Sartori, da Austin Rating, trabalha com um IPCA de 4,74% para o fechamento deste ano.

Nesse contexto, a ata da última reunião do Copom já indicava que o ambiente exigiria uma “restrição monetária maior e por mais tempo”, conforme lembra a Planner. 

No entanto, Margato pondera que segurar a Selic não interromperia um choque exógeno. Sartori reforça essa visão ao notar que a atividade econômica brasileira já desacelerou de 3,7% para 2% em 12 meses: “Seria ineficiente manter a taxa de juros [como está] visando só a inflação agora”.

Projeções

O consenso aponta para a continuidade dos cortes, mas em ritmo de “calibração”. O J.P. Morgan e o BofA esperam uma redução de 0,25 p.p. nesta reunião, com o BofA projetando uma Selic terminal de 13,25% ao final de 2026.

A Planner Investimentos projeta cortes de 0,25 p.p. em abril, junho e agosto, com uma possível aceleração para 0,50 p.p. até o final do ano, à medida que o cenário geopolítico se estabilize.

Margato, da XP, espera corte de 0,25 p.p. nesta reunião de abril, e de 0,50 em junho, embora reconheça que essa projeção dependa de dados externos, como o fim do conflito ou a estabilização da cotação do petróleo Brent em torno de US$ 80 a US$ 90.

Rodolpho Sartori, da Austin Rating, projeta a Selic terminal em 12,5% para o fim de 2026, mas admite um “viés altista” que pode levar a taxa a 12,75% ou 13% caso a guerra se prolongue. 

Essa marca de 13% é a aposta de Leonardo Costa, do ASA, e da Suno Research, que veem o Banco Central em uma postura defensiva e de “ajuste fino” até que as expectativas de longo prazo voltem a ancorar.